domingo, 28 de novembro de 2010

"Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes,
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
Mal ganha para sopas...

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu, cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho
Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua "coterie";
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.

A adulação repugna aos sentimentos finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos...

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a "réclame", a intriga, o anúncio, a "blague",
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras...

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Ainda trabalha. É feia...
Que mundo! Coitadinha!"

Cesário Verde


(Dói-me a alma)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"Dessa ilusão criei a minha própria realidade"
Parece que esta é a minha realidade, aquela minha confusão de sentidos que provoca uma distorção da percepção.
Não consigo perceber como é que deixas, que as pessoas me tratem assim, dessa maneira tão repugnante, é incrível como existem pessoas assim....

Para ti só resta a desilusão e para ele.....


que arranje uma vida e que deixe de viver e destruir a dos outros!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Existem coisas que nós não controlamos e é isso que eu não controlo… Não consigo controlar não estar sempre contigo, não te ter a meu lado sempre, não ter os teus abraços e os meu mimos pegajosos, não consigo não te ter a ti!

És uma peça mais que importante no puzzle da minha vida e sem esta “pequena” peça não consigo viver.

Todos os momentos, todas as brincadeiras, todas as conversas parvas, todas as mensagens, todos os sentimentos e todo o nosso amor é uma coisa incontrolável.

És parvo, és mongo , és feio, és gordinho mas sobretudo és meu!

Simplesmente não quero controlar porque sei que a vida tem de ser vivida ao máximo e por vezes não vivemos tudo o que temos a viver.

AMO-TE MEU AMOR, always with youuu@

sábado, 20 de novembro de 2010

Parabéns bebé

espero que sejas muito feliz, amo-tee@

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade." Carlos Drummond de Andrade


Saudades

"Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!"

Florbela Espanca